Participação dos cidadãos nas eleições em Moçambique: Quem vota?

Foto: Agência Lusa

Desde as eleições de 1994, a participação dos eleitores nos pleitos eleitorais tem vindo a reduzir em Moçambique. Em 1994, 80% dos eleitores votaram. Em 2004, esse número caiu para 33%, tendo se registado uma ligeira subida para 45% e 49% nas eleições de 2009 e 2014 respectivamente.

Embora as baixas taxas de participação dos eleitores nos pleitos não seja algo incomum, elas são problemáticas. A não participação dos cidadãos na votação mina a legitimidade do vencedor.

Desde os anos 2000, o inquérito Afrobarómetro tem incluído questões sobre o comportamento dos eleitores. Ao cruzar as respostas com outras informações dos inquiridos, pode-se explorar correlações da participação dos eleitores nos últimos três ciclos eleitorais (2004, 2009 e 2014).

É importante notar que o número dos inquiridos que afirmam ter participado da votação é consistentemente maior do que a participação real dos eleitores. Em 2015, 80% dos inquiridos pelo Afrobarómetro afirmaram ter votado nas últimas eleições (excluindo aqueles que não tinham a idade para votar). No entanto, apenas 49% realmente votou. Em outras palavras, cerca de um terço dos inquiridos não foi fiel na sua resposta. Embora este dado constitui um problema no que concerne as estimativas de participação dos eleitores, não é um problema quando se pretende estimar as correlações e efeitos, assumindo que os inquiridos que não disseram a verdade são distribuídos aleatoriamente.

Podemos deduzir três conclusões da nossa análise. A primeira é que as pessoas mais velhas são mais propensas a votar do que as pessoas mais jovens. Um indivíduo de 60 anos de idade tem mais 5% de chances de votar do que um indivíduo de 40 anos; e mais de 15% de chances de votar do que um jovem de 20. Tem se visto este padrão também em outros países, mas constitui um grave problema em Moçambique, onde os jovens constituem uma grande parcela da população. A figura abaixo apresenta os resultados. A linha preta indica as probabilidades previstas acima e abaixo da média. A área cinza representa os intervalos de confiança de 95%.

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A segunda conclusão é que as pessoas que estão satisfeitas com o Presidente são mais propensas a votar do que aqueles que não estão satisfeitas. Um indivíduo que “fortemente aprova” seu desempenho tem 13% mais chances de votar do que um indivíduo que “desaprova totalmente” seu desempenho. O que isso sugere é que as pessoas que estão insatisfeitas não necessariamente respondem votando no candidato da oposição. Grande parte responde ficando em casa no dia das eleições.

A terceira e a última conclusão é que as pessoas que confiam na Comissão Nacional de Eleições (CNE), são mais propensas a votar do que as pessoas que não confiam. Este é também é o caso das pessoas que confiam na polícia e nos tribunais. Em outras palavras, as pessoas que geralmente confiam nas instituições públicas são mais propensas a participar nas eleições.

A presente análise é preliminar. Tal sugere que uma parcela considerável da população – os mais jovens e as pessoas que não estão satisfeitas com o governo e que geralmente não confiam nas instituições públicas – escolhem ficar em casa de forma consciente no dia das eleições. Esta interpretação dos resultados é apoiada com o facto de 58% dos inquiridos que admitiram não ter votado nas últimas eleições (excluindo aqueles que não tinham idade para votar), disseram que “decidiram não votar” ou “não tiveram tempo”.

Para mais informações, incluindo acesso aos dados e resultados de regressão, entre em contato com Halfdan Lynge-Mangueira no [email protected]

Fonte: Saute

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