Existe algum protocolo das Nações Unidas que obriga os países a terem uma seleção nacional de futebol? Não entendo essa nossa mania de mantermos insistentemente uma seleção que já deu o que tinha a dar.

Não me refiro a fazer bicicletas ou triciclos no campo, ou a ganhar jogos ou campeonatos. Nada disso. Refiro-me a ter o básico para uma equipa entrar em campo e jogar o tal futebol. Refiro-me a equipamento, camisolas, por exemplo.

Podemos até fazer pouca vergonha no nosso Moçambola. Podemos abandonar atletas ao relento nos aeroportos; viajar mil e quinhentos quilómetros para jogar cinco minutos depois; jogar sem comer e sem salários e prémios de jogo; etecetera, etecetera. O que estamos proibidos de fazer é exibirmos a nossa estupidez para o mundo todo.

Podemos até perder jogos com equipa de um Di-Djei, mas irmos a um campeonato regional sem camisolas é o cúmulo do absurdo. Como diria o meu amigo Bie, é muita falta de absurdo: aquelas situações em que o próprio absurdo não se identifica com a tal acção absurda; ou seja, quando o próprio absurdo não concorda com tamanha “absurdice” e vota contra.

O que falta, como País, para nos convencermos que o nosso negócio não é futebol? Nós entendemos é de endividarmo-nos uns aos outros; esmagarmo-nos tíbias e fêmures; vender madeiras e marfins; recolher dinheiros dos cofres do Estado; pintar relatórios; polir sapato do outro com língua; e coisas tais.

Temos que investir naquilo que somos bons.

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