Migrantes atirados ao mar por traficantes. Terão morrido 55 pessoas

Foto: STR/AFP/Getty Images

Cerca de 180 migrantes da Etiópia e da Somália foram esta quinta-feira forçados por traficantes a lançarem-se ao mar ao largo da costa do Iémen. Há registo de pelo menos cinco mortos e 50 desaparecidos, mas a Organização Internacional para as Migrações teme o pior.

“Estão ainda desaparecidos 50 então presume-se que sejam 55 mortos”, disse Olivia Headon, porta-voz da Organização Internacional para as Migrações, citada pela Reuters.

É o segundo incidente deste tipo que é denunciado nas últimas 24 horas no Iémen.

“Pode ser o início de numa nova tendência. Eles [os traficantes] largam-nos perto da costa e voltam atrás para ir buscar mais [migrantes]”, continuou Headon.

Segundo a diretora do escritório da agência especializada da ONU na cidade iemenita de Adén, Lina Koussa, os sobreviventes deste último incidente são cerca de 100, dos quais 25 estão a receber tratamento médico.

Algumas das vítimas de quinta-feira foram encontradas com as mãos atadas, o que sugere que os sobreviventes os preparavam para as cerimónias fúnebres tradicionais, segundo o The Guardian. A média de idade dos migrantes era de 16 anos.

Este novo caso ocorreu na província de Shebua, localizada em frente ao golfo de Adén. Foi nesta mesma zona que um grupo de cerca de 120 imigrantes oriundos da Somália e da Etiópia foi deliberadamente atirado ao mar por traficantes na quarta-feira.

Segundo a OIM, 29 pessoas perderam a vida no incidente de quarta-feira e outras 22 continuam desaparecidas. 69 pessoas conseguiram sobreviver e chegar às costas do Iémen.

Funcionários da OIM encontraram as campas rasas de 29 dos migrantes numa praia de Shabwa durante uma patrulha de rotina. Os mortos foram enterrados pelos que sobreviveram.

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A pouca distância marítima que separa o Corno de África (extremo oriental do continente africano, constituído pela Somália, pela Etiópia e pelo Jibuti, e que culmina no cabo Guardafui) do Iémen tem contribuído para que este trajeto seja uma rota de migração popular, apesar do conflito em curso no Iémen. Posteriormente, os migrantes tentam dirigir-se para os países do Golfo.

O Iémen está em guerra desde finais de 2014, mas muitos dos migrantes que lá tentam chegar não sabem. “Eles não sabem de todo que há uma guerra. Às vezes tentamos explicar-lhes e eles nem acreditam”, diz Laurent de Boeck, diretor da missão da Organização Internacional para as Migrações no Iémen.

“Quando eles chegam há outros criminosos à sua espera”, explicou de Boeck. “Eles são presos e torturados até as suas famílias pagarem” um resgate, continuou o responsável.

De acordo com a OIM, cerca de 55.000 migrantes abandonaram nações do Corno de África em direção ao Iémen desde janeiro deste ano, a maioria deles vindos da Somália e da Etiópia. Estima-se que um terço deles sejam mulheres.

DN

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