Ex-presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, é morto durante confrontos na capital

Ex-presidente do Iémen, Ali Abdullah Saleh. Foto: Khaled Abdullah / Reuters

Fontes do partido Congresso Geral do Povo do Iémen confirmaram a morte do seu líder e ex-presidente Ali Abdullah Saleh, nesta segunda-feira, durante fortes confrontos entre as suas forças e militantes do movimento Houthis na capital Sanaa.

Um vídeo, posto a circular nas redes sociais, mostra Saleh estatelado e cercado por militantes Houthi comemorando a sua morte. No vídeo exibido em um canal de televisão pro-Houthi, Saleh aparece com ferimentos na cabeça, potencialmente uma ferida de bala.

Logo pela manhã, militantes do Houthi  explodiram a casa de Saleh no centro da capital, Sanaa, na segunda-feira, informaram os moradores.

Na noite anterior, Saleh anunciou oficialmente a dissolução de sua aliança com o movimento Houthi.

Quem foi Ali Abdullah Saleh?

Ali Abdullah Saleh governou o Iémen durante 34 anos antes de ser deposto durante os protestos da Primavera Árabe em 2011.

Saleh e as suas forças leais formaram uma aliança com os Houthis e juntos conquistaram grande parte do país, incluindo a capital Sanaa.

Na semana passada os dois grupos separaram-se na sequência  da abertura da possibilidade de diálogo entre Saleh e a coligação da Arábia Saudita. As forças Houthis consideraram esta aproximação como traição e entraram em confronto sangrento contra as forças leais a Saleh.

O conflito no Iêmen tem suas raízes no fracasso da transição política que visava restabelecer a estabilidade no país, após as revoltas populares que forçaram o Presidente Saleh a entregar o poder ao seu vice-presidente, Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi em 2011.

Hadi procurou restaurar um país mergulhado em vários problemas e divisões políticas, porém o movimento Houthi aproveitou da fragilidade para assumir o controle de varias partes do país.

Desiludidos com a transição, muitos iemenitas apoiaram os Houthis e, em Setembro de 2014, entraram na capital, Sanaa.

O Presidente Hadi abandonou o país, tendo se exilado na Arábia Saudita. A Arábia Saudita e oito países maioritariamente sunitas, alarmados com a ascensão do grupo xiita apoiado pelo Irão, iniciaram uma campanha militar aérea com objectivo de repôr o governo de Hadi. A coligação recebeu apoio logístico e de inteligência dos EUA, Reino Unido e França.

Mais de 8.670 pessoas foram mortas e 49.960 feridas desde a intervenção militar da coligação saudita, de acordo com a ONU.

O conflito e o bloqueio por parte da coligação deixou igualmente 20,7 milhões de pessoas em situação de carência alimentar e um surto de cólera que já matou mais de duas mil pessoas

BBC / AL Arabiya

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