Dhlakama promete abandonar as matas depois do anúncio das próximas eleições gerais

Naquela que foi a primeira declaração pública após o encontro com Filipe Nyusi, o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) explicou que foram “desencalhados” pormenores que estavam a bloquear as negociações de paz, sobretudo no que respeita à descentralização e enquadramento do braço armado do partido no exército.

“Eu escolhi o lugar da reunião na Gorongosa, porque domino isto, apesar de as posições [militares] estatais permanecerem” disse à Lusa por telefone o líder do maior partido da oposição em Moçambique, vincando que foram necessários mais de dois meses de aproximação e construção da confiança para a concretização do encontro, que foi mantido em secreto pelo Governo e a Renamo.

Dhlakama disse que foram precisos várias horas de negociações, para serem alcançados “compromissos” para a paz, sobretudo na “celeridade e seriedade” da discussão sobre os assuntos da eleição de governadores provinciais e enquadramento do braço armado da Renamo no exército, nos vários ramos da Polícia e dos serviços secretos moçambicanos.

Sobre a descentralização, Afonso Dhlakama explicou que até o fim do ano, deverá dar entrada uma proposta de lei na Assembleia da Republica, que permitirá a eleição de governadores provinciais, em paralelo com uma proposta revisão da Constituição da Republica, para reduzir os poderes do chefe do Estado.

O líder partidário recusa ter pedido lugares nos governos regionais. “Não são governadores da Renamo, são governadores de todos os partidos que concorrerem às eleições incluindo a Frelimo”, explicou Afonso Dhlakama, sustentando que Filipe Nyusi deverá anunciar a data das próximas eleições gerais de 2019, com 18 meses de antecedência, já com a lei aprovada.

Quanto ao enquadramento do braço armado da Renamo no exército, Afonso Dhlakama disse que foi discutido um modelo para garantir um exército apartidário e, depois da execução do modelo, serão “acantonados e desmobilizados” os guerrilheiros aquartelados nas províncias, que depois serão integrados também na polícia e noutros ramos de segurança.

“Eu fiz entender ao chefe do Estado que a preocupação de criar um exército não é o interesse da Renamo, é o interesse da segurança do país” precisou Afonso Dhlakama, reiterando que com um exército unificado é possível evitar golpes, emboscadas ou a prestação de serviços políticos por militares, sobretudo na perseguição da oposição.

“Acredito que isto vai funcionar, vão ser enquadrados. E se forem enquadrados, dentro em breve, e nós ficarmos satisfeitos com o exército apartidário, técnico-profissional, já podemos até acantonar também, os nossos militares, que estão nas províncias, e selecionar alguns, em boas condições de saúde e idade e integrá-los na Polícia e UIR (Unidade de Intervenção Rápida)”, disse Afonso Dhlakama.

Quanto ao futuro, o líder da Renamo anunciou que vai abandonar as matas e regressar à vida política depois de esses dois assuntos estarem “despachados”, até abril de 2018.

A Renamo não reconheceu o resultado das últimas eleições presidenciais no país que deu a vitória à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e a Filipe Nyusi. Desde então, têm-se sucedidos casos de confrontos militares e protestos vários, particularmente no centro do país.

DN

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