As eleições angolanas no olhar de um jornalista moçambicano

Imagem: VOA

Angola entra em uma nova fase da sua história com a eleição hoje do novo Presidente da República. Pela primeira vez na história da democracia angolana, o nome de José Eduardo dos Santos não irá constar do boletim de voto.

Este momento crucial e histórico é acompanhado ao detalhe no mundo lusófono e em Moçambique em particular. Neste âmbito, Ntatenda entrevistou Jessemusse Cacinda, jornalista moçambicano, radicado em Maputo.



Cacinda inicia chamando atenção para os possíves erros de análise do processo eleitoral:

Para quem acompanha as eleições angolanas de ‘fora’, principalmente a partir das informações que nos chegam pelos meios de comunicação social, obviamente que incorremos o risco de cometer maiores erros nas nossas análises, mas há questões gerais sobre o processo que acho que devem ser analisadas.

O jornalista moçambicano considera que a alternância de poder ao nível do MPLA não irá trazer diferenças significativas no âmbito estrutural:

Primeiro, o facto de José Eduardo dos Santos não fazer das eleições provoca em si um ambiente de tensão, porque, apesar de não representar nenhuma mudança de paradigma, há pelo menos um novo rosto. Mas este novo rosto, pode por um lado, ser sancionado pelos erros cometidos pelo MPLA e por outro, estar em vantagem pelo facto do MPLA ser tradição, mas também por ser uma figura diferente, isto leva a transparecer, pelo menos em teoria, que há uma renovação, dentro do próprio MPLA.

Embora o país apresente grandes níveis de desigualdades sociais e o crescente descontentamento com a elite no poder, os partidos da oposição não constituem forte ameaça ao MPLA. Entretanto, o surgimento de novos partidos e a ascensão dos partidos da oposição, pode contribuir significativamente para a redução dos votos do MPLA comparativamente as eleições anteriores.

Por outro lado, o facto de Samakhuva e Chivukuvuko estarem em partidos diferentes, já conduz a uma dispersão de votos de todo angolano que se mostra descontente em função da monotonia a que o país entrou. Estamos a falar de um dos países mais desiguais do mundo, com taxa de mortalidade materno-infantil abismal, dentre outros.

A maior batalha para os partidos da oposição nestas eleições está, de acordo com Cacinda, no parlamento:

Em suma, teremos um MPLA vencedor, mais com menos votos do que os pleitos anteriores. Outro aspecto é se as duas maiores forças da oposição, a UNITA e a Convergência da Ampla Salvação conseguirem ter uma presença de peso no parlamento, podem constituir um instrumento de pressão para fazer passar passar leis, que podem tornar Angola mais democrática do que é hoje.

 

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